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A luta pela educação não terminou PDF Imprimir E-mail
CHILE
Escrito por Izquierda Comunista   
Dom, 08 de Abril de 2012 19:12
2011 foi o ano das mobilizações estudantis e sociais por todo o país. E não são produtos da casualidade, mas de um conjunto de fatores. A crise econômica e os altos índices de desemprego provocaram altos níveis de endividamento nas famílias, a crise da educação, produto da incessante privatização, gerou a diminuição do investimento estatal provocando diminuição da qualidade de ensino.
 
As mobilizações, as greves, ocupações e atos culturais, durante mais de 6 meses, não foram em vão. Bem se sabe que, desde o início, o governo não queria ceder, reprimindo sem cessar, e, por sua vez, a “Concertação” apoiava as reivindicações de forma oportunista, mas o movimento conseguiu entender que este governo e os anteriores só representam os empresários da educação e de todos os setores. Segundo a pesquisa Adimark, em janeiro passado a Aliança tinha uma rejeição de 48%, e a Concertação 59%. Em junho, quando as pesquisas recolheram os primeiros indícios do impacto social e político do movimento estudantil, as mesmas cifras subiram para 60% e 68% respectivamente. No fim do ano, a rejeição ao governo oficial caiu levemente para 58%, e a da oposição atingiu 73%.
 
Como em toda luta, podemos tirar os saldos positivos e negativos do ano de 2011. Os sucessos são claros ainda que difíceis de visualizar (A CERC [Centro de Estudos da Realidade Contemporânea] de agosto de 2011 mostrava que 72% dos votantes acreditavam que os estudantes estavam ganhando a batalha. No entanto, para a última CERC, publicada em dezembro de 2011, a cifra desceu para 40%. É por isto que pode existir um sentimento de fracasso), mas o avanço na organização de cada liceu e universidade, conseguindo uma coesão nacional, as marchas pela Educação Gratuita e a Renacionalização do Cobre é um avanço de consciência que não se deve subestimar; mais ainda agora, quando a isso se soma a forte luta Na Região de Aysén, onde os trabalhadores demonstraram claramente que não é impossível resistir ao governo.
 
Mas é necessário muito por avançar: ainda temos grandes índices de desigualdade (número 13 no ranking segundo o BM); a lei do Crédito com Aval do Estado e sua suposta diminuição dos juros a 2 %, claramente, não aplacará a alta dos impostos e das matrículas, além disso, o sobrepreço (dinheiro que paga o Estado aos bancos como indenização, quando esses vendem uma dívida de um estudante “perigoso”) continuará dando bilhões de pesos de lucros aos bancos em prejuízo do orçamento do Estado (Entre 2006 e 2011, os bancos repassaram uma carteira “má” ao Estado por US$ 887 milhões — 39,3% do total de empréstimos concedidos— e o Fisco lhes entregou de volta US$1,182 bilhões, ou seja, 33% a mais do seu valor. Em outras palavras, os bancos ganharam US$ 295 milhões).
 
Até fevereiro, ainda estavam ativos em seus trabalhos 3 oficiais carabineiros que foram reformados por serem responsáveis pelo assassinato de Manuel Gutiérrez, o que é uma ofensa ao povo chileno; há muitos estudantes que têm suas matrículas canceladas até o dia de hoje, sem qualquer resposta e à deriva a respeito do tema; além disso, acrescenta-se o fato de a estas alturas 80 estabelecimentos aproximadamente não poderem iniciar suas aulas esta semana por problemas em sua infraestrutura. O Colégio de Professores enfatizou que cerca de 30% dos colégios de todo o país não estão em condições de começar o ano escolar, devido a atrasos na reconstrução ou aos danos sofridos nas ocupações, sendo a situação mais complexa a do Liceu de Aplicação, onde as obras no local foram adiadas para o segundo semestre deste ano em sua sede de Cumming, e o edifício em Huérfanos que começara suas atividades em 19 de abril.
 

Para lutar contra tudo isso, devemos usar mais ainda uma das ferramentas mais importantes, que é a solidariedade de classe tanto nacional como internacional. Exemplo disto foi o apoio dos trabalhadores do cobre de SITECO e dos estudantes do Brasil, a Assembleia Nacional de Estudantes Livre (ANEL), ambos mobilizando-se por seus direitos e em apoio aos estudantes chilenos.
 
A luta não terminou e sabemos que a Educação Gratuita, em conjunto com a Renacionalização do cobre são reivindicações que nenhum governo nos dará, já que neste capitalismo decadente em que estamos (e imersos em uma crise), é algo que a burguesia dificilmente pode conceder, portanto a única e real saída para nossa educação gratuita é a luta pelo Socialismo. E esta é uma longa tarefa. Por ora devemos convocar a CONFECh (Confederação dos Estudantes do Chile), a ACES (Assembleia de Coordenação dos Estudantes Secundaristas) e a CONES (Coordenação Nacional dos Estudantes Secundaristas) para que se unam e articulem suas lutas com os trabalhadores e com o Movimento Social de Aysén.
 
Hinzpeter: com leis repressivas não se detêm os processos sociais, nem as mobilizações populares!
 
Depois de grandes mobilizações sociais e populares, o Estado como instrumento de dominação, através dos governos de plantão, ontem Bachelet (2006) e hoje Piñera (2011), tira conclusões assim como os que lutam. Por um lado, estes últimos compreendem a necessidade de se unir e se organizar para enfrentar o sistema que os oprime, para também conquistar mais e mais direitos sociais, civis e políticos, o que faz avançar sua consciência a tal nível que põe em risco todos os andaimes capitalistas de exploração e buscam derrotar para sempre a classe dominante. Por outro lado, aqueles que governam para manter os lucros do grande capital e da burguesia financeira compreendem que manter a “ordem pública”, requer repressão, não só nas ruas com mais polícia, gás lacrimogêneo e balas, mas também, que se devem tirar importantes direitos conquistados em anos de luta, a liberdade de expressão, de reunião, de manifestação, de livre trânsito pelas ruas de nosso país, e para isso existem as instituições responsáveis dentro do estado para operar e ditar leis.
 
O poder executivo, por intermédio do ministro do interior (Hinzpeter), enviou um projeto de lei ao Parlamento (Congresso), e deputados e senadores (Câmaras) deverão discutir sua aprovação. Este projeto de lei teve sua expressão também durante os governos da “Concertação” que tentaram criminalizar o protesto social e popular, mas hoje isto avançou e estamos a um triz de que se aprove. Mas concretamente do que se trata este projeto de lei? Vamos a ele, só um artigo nos ilustra suas intenções:
 
“Artigo 269. Serão castigados com a pena de prisão menor em seu grau médio (Isto é uma sanção privativa de liberdade de 541 dias a 3 anos) aqueles que participem de desordens ou qualquer outro ato de força ou violência que envolvam a realização de algum dos seguintes fatos: 1. Paralisar ou interromper algum serviço público; 2. Invadir, ocupar ou saquear moradias, escritórios, estabelecimentos comerciais, industriais, educacionais, religiosos, sejam privados, fiscais ou municipais; 3. Impedir ou alterar a livre circulação das pessoas ou veículos por pontes, ruas, caminhos ou outros bens de uso público semelhantes; 4. Atentar contra a autoridade ou contra seus agentes; 5. Empregar armas de fogo, cortantes ou pontiagudos, artefatos ou elementos explosivos, incendiários ou químicos ou outros capazes de produzir danos a pessoas ou à propriedade; ou, 6. Causar danos à propriedade privada…”.
 
Fonte: Alternativa Comunista, n. 5, Março 2012
 
Tradução: Suely Corvacho

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