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Com o povo Grego, contra o “Plano de Resgate”! PDF Imprimir E-mail
GRÉCIA
Escrito por Corriente Roja   
Qui, 10 de Novembro de 2011 11:48
A União Europeia é a Europa do capital e da crise!

Papandreu, o capataz da Troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e FMI), que em menos de dois anos submeteu o povo grego a cinco planos de ajuste sucessivos, cada um mais brutal que o anterior, anunciou no dia 2 de novembro a realização de um referendo sobre o segundo “plano de resgate” da Grécia, aprovado alguns dias antes na Cúpula europeia do final de outubro.

Não é que de repente o “socialista” Papandreu tenha se tornado amante da democracia. Odiado pelo povo grego, politicamente isolado e em crise, viu-se obrigado a manobrar desesperadamente para facilitar a aprovação do novo “plano de resgate”. Mas uma coisa são as manobras políticas na Grécia, e outra, seu impacto na União Europeia (UE).

Pânico na UE

O simples anúncio do referendo, a possibilidade de que o povo grego se pronunciasse e dissesse Não ao “plano de resgate” (80% da população é contra), desencadeou o pânico na UE e acabou de virar de pernas para o ar os acordos da Cúpula europeia.

Depois do anúncio de Papandreu, os hierarcas da UE, começando por Merkel e Sarkozy, lançaram-se como energúmenos a chantagear e ameaçar a Grécia. Retiraram os 8 bilhões de euros prometidos, ameaçaram expulsar este país do euro e da UE e anunciaram as piores calamidades imagináveis para o povo grego.

É que, se Merkel, Sarkozy e os banqueiros já haviam decidido o plano, quem poderia sequer pensar que este plano, que amarra pelos pés e pelas mãos três gerações de gregos, pudesse ser decidido em um referendo popular? Era só o que faltava! O mau exemplo, além disso, não afetava só a Grécia, mas também os planos de ajuste da Irlanda, Portugal, Itália ou do Estado espanhol.

Finalmente, a UE e o FMI, exercendo uma enorme pressão, conseguiram que Papandreu retirasse a proposta de referendo e, em meio a uma tremenda crise política, foram iniciadas conversas para criar um incerto governo grego de “unidade nacional” que aplique as medidas ditadas pela Troika.

A UE: um mecanismo de guerra antidemocrático a serviço dos banqueiros

A UE mostrou mais uma vez, de forma especialmente crua, que é um mecanismo incompatível com a democracia e uma arma de guerra a serviço dos banqueiros e dos grandes capitalistas para saquear os trabalhadores e os povos europeus.

O “plano de resgate” é a ruína e a escravização da Grécia

Merkel, Sarkozy, Barroso e companhia (com o apoio dos Rajoy e Rubalcaba), no cúmulo do cinismo, pretendem aparecer como os “salvadores da Grécia”, quando foram eles os que, em menos de dois anos, devastaram o país, deixando-o como se tivesse enfrentado uma guerra. Também são eles os que aprovaram agora o segundo “plano de resgate”, que aprofunda a devastação social e econômica da Grécia, transforma o país em um protetorado colonial diretamente controlado pela Troika (que se instala permanentemente em Atenas) e escraviza o povo grego durante décadas.

A zona do euro e a UE se estilhaçaram

A aceleração da crise da UE, provocada pelo anúncio do referendo grego, acabou de jogar por terra os resultados da última Cúpula europeia, que foi apresentada como “histórica” e que supostamente teria resolvido de forma “definitiva” a insolvência dos grandes bancos europeus, o problema da dívida grega e “a crise do euro”.

Na realidade, estamos vivendo o pânico dos senhores da Europa diante do desmoronamento do projeto que construíram durante décadas. A reunião do G20 em Cannes mostrou que todos os problemas da UE persistem e se agravam, que a continuidade da zona do euro e da própria UE está abertamente questionada, e que é hora de mostrar a necessidade de uma alternativa socialista e revolucionária a esta Europa do capital que, ao afundar-se, nos leva à ruína.

Grécia: Repudiar o “plano de resgate”, não pagar a dívida, sair do euro e da UE, chamar à solidariedade e tomar medidas drásticas de autodefesa

O segundo “plano de resgate” da Grécia é certeza de catástrofe para o povo grego. Uma catástrofe que, além do mais (ninguém se engana a esse respeito), terminará com a Grécia expulsa da zona do euro, uma vez que todo seu patrimônio nacional tenha sido saqueado.

Por isso, a primeira condição para escapar da catástrofe é rechaçar o “plano de resgate” e deixar de pagar uma dívida que é completamente ilegítima. Sabendo que isto leva, com certeza, à saída do euro e da própria União Europeia.

Porém, se a Grécia se nega a pagar a dívida e sai do euro e da UE, será - com absoluta certeza - submetida a um boicote impiedoso pelas potências capitalistas, começando pelas da UE, com o objetivo de afundar o país e promover um castigo exemplar.

Por isso, o rechaço ao plano e ao pagamento da dívida só tem sentido se forem acompanhados por duas coisas fundamentais. A primeira é a mais estreita solidariedade da classe trabalhadora europeia com os irmãos gregos e contra seus próprios governos. A segunda é a tomada de medidas drásticas anticapitalistas de autodefesa, como: a expropriação e nacionalização, sob controle dos trabalhadores, dos bancos, indústrias estratégicas e serviços-chave, assim como o estabelecimento de um estrito controle dos movimentos de capitais e do monopólio do comércio exterior. Por tudo isso, a luta não poderá triunfar em um país isolado e se não se abrir a perspectiva de outra Europa, a de uma Europa Unida dos trabalhadores e dos povos, os Estados Unidos Socialistas da Europa.

Solidariedade com o povo grego. Sua luta é a nossa

A batalha do povo grego é a nossa. Eles dependem dos trabalhadores e dos povos europeus e nós dependemos deles. É necessário levar a solidariedade às ruas. Sua luta é a nossa. Sua vitória, a de todos/as.

Solidariedade com o povo grego contra o “plano de resgate”!
 
Não pagamento da dívida!
 
Fora a União Europeia! Pelos Estados Unidos Socialistas da Europa!

Tradução: Raquel Polla

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