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Nasceu o PSTU PDF Imprimir E-mail
ARGENTINA
Qua, 04 de Maio de 2011 02:09

Grande emoção na confluência de grupos revolucionários. Nasceu um partido revolucionário. Fundou-se na Argentina o PSTU, Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado, como seção da LIT-QI. Uma ferramenta para os trabalhadores, para a juventude, os estudantes e os setores populares.

A unidade dos que acreditam que é possível construir um novo partido revolucionário no país se dá sobre sólidas bases programáticas, com o objetivo de nos implantarmos mais na classe operária, sermos internacionalistas, com uma moral revolucionária e com um caráter centralizado para a tarefa de lutar pelo poder.

Depois de onze meses de debates, discussões, ações comuns e acordos, se deu a fusão por parte dos militantes da FOS (Frente Operária Socialista) e da COI (Corrente Operária Internacionalista). Ao mesmo tempo se originou a entrada para o PSTU dos companheiros do agrupamento Dignidade de Córdoba, outro grande triunfo.

No marco da revolução árabe que protagonizam os jovens e os trabalhadores, das greves dos operários contra o ajuste, das mobilizações na Bolívia e Honduras contra as medidas dos governos populistas, dos protestos nos Estados Unidos contra as leis anti-imigrantes, se fundou o PSTU.

Para batalhar e ajudar os trabalhadores e os estudantes argentinos nas suas lutas por aumentos salariais, contra os patrões e a inflação; por mais verbas para a Educação e a Saúde, contra os cortes e as reformas do governo, se fundou o PSTU.

Também fundamos o PSTU para dar uma alternativa eleitoral e é por isso que nos integramos na Frente de Esquerda e dos Trabalhadores, junto com o PO, o PTS e IS. Compomos a Frente de Esquerda e nos juntamos com todas as forças para derrotar a restritiva reforma eleitoral do kirchnerismo, dos radicais e das demais forças burguesas, que pretendem tirar-nos a possibilidade de votar em lutadores operários e estudantes rebeldes, procuram dessa forma que a esquerda não participe e que não haja opção classista nas eleições.

A nossa primeira aparição pública será no Primeiro de Maio, data em que nós, trabalhadores do mundo, nos uniremos nas ruas para recordar nossos mártires e tornar efetiva a solidariedade proletária internacional, o que nos impulsiona ainda mais e nos enche de responsabilidades.

O PSTU se coloca para continuar construindo a corrente que Nahuel Moreno desenvolveu na Argentina, aprofundando a tradição que nos ensinou nosso fundador, tal como ele seguia os ensinamentos de Marx, Lenin e Trotsky.

Emocionados para a luta

“Como você nos ensinou, velho Nahuel... vamos construir a Quarta como ele o fez... para tomar o poder”, cantavam com alegria, emoção e peito inflamado os jovens, os delegados e militantes que assistiram ao Congresso, enquanto nascia o PSTU.

Estávamos todos muito emocionados, não faltaram as lágrimas e os apertados abraços intermináveis, carregados do sabor do triunfo, recarregados de forças para enfrentar os desafios futuros. Não era para menos, nos estávamos juntando depois de anos de divisões e rupturas, que agora estamos revertendo. Nossa histórica tradição de unidade, implantação na classe operária e o férreo internacionalismo proletário se estavam tornando novamente realidade com a construção do PSTU.

Mas todas essas lágrimas e esses abraços não só significavam a emoção pelo que estava acontecendo, como também levavam no seu interior a força militante que se multiplica para tornar o PSTU cada dia mais forte e olhar para diante na perspectiva do socialismo e de uma sociedade sem exploradores nem explorados. É por isso que ao longo de quase todo o Congresso cantamos: “olé olé... olé olá... somos a morte do capital... somos o trotskismo, a Quarta Internacional”.

Visitas internacionais

Uma importante delegação de companheiros de diferentes países esteve presente no Congresso de fundação do PSTU e muitos outros nos enviaram suas cartas de saudação, que mostram o alcance da LIT e das suas mais de 25 secções em todo o mundo.

De diferentes países chegaram, para compartilhar este momento histórico, os companheiros Flor, pela LIT-QI, Leo do PST peruano, Juan da IST uruguaia, Fernando do PRT chileno (secção simpatizante da LIT) e pelo PSTU brasileiro o fizeram Cecilia Toledo (autora do livro “Mulheres: O gênero nos une, a classe nos divide”), Natalia e Alejandro Iturbe (diretor do Correio Internacional).

Da Europa e da Ásia nos saudaram os camaradas do POI da Rússia, PRT-IR de Espanha, Ruptura/FER de Portugal, ISL de Inglaterra, LCT da Bélgica e UOC da Ucrânia.

Não faltaram as saudações dos camaradas latino-americanos do PSTU do Brasil, Esquerda Comunista (IC) do Chile, PST da Colômbia, UST de El Salvador e do PST das Honduras.

Também nos fizeram chegar sua saudação os companheiros da Assembléia de Trabalhadores pelo Socialismo (ATS) de Senillosa, na província de Neuquén.

Um compromisso com a revolução

O ato de encerramento chegou no domingo, com a caída da noite, com momentos cheios de emoção, paixão e compromisso militante. O discurso ficou a cargo de Eduardo Barragán, dirigente do Hospital Lacarde, do Sindicato de Municipais de San Miguel e da direção nacional do novo partido.

Estava em suas mãos dar a medalha de ouro a jornadas de lutas muito importantes para aqueles que estavam fundando o PSTU. Com força absoluta e com o olhar posto no futuro, o companheiro Barragán expressou: “cabe a mim fazer o encerramento deste congresso e, como todos vocês, o faço com muita emoção, porque acredito que demos um pequeno mas grande passo, pelo significado que tem não só para nós, mas também para o futuro da direção revolucionária na Argentina. Esta fusão e a existência deste novo partido, bem como pelas tarefas que este processo deixa ao PSTU a partir de amanhã mesmo”.

O companheiro que veio da Colômbia no início da década de 80, para militar no PST de Nahuel Moreno, nos despediu do Congresso dizendo: “Companheiros, saiamos com a cabeça erguida, com o orgulho que nos deu este processo e, amanhã mesmo, vamos militar pela Frente de Esquerda para o Primeiro de Maio, para nos inserirmos mais na classe operária, para construirmos uma grande juventude, no caminho para a tomada do poder pela classe operária na Argentina. Viva o PSTU! Viva a LIT!”.
 
O PSTU surge Internacionalista, Operário, Socialista e Unitário

O PSTU surge não só fruto da unidade de nossas organizações, como também procura, além disso, responder a profundas necessidades dos trabalhadores e do povo. Nossos quatro pilares fundamentais para edificar este novo partido são:

Pelo internacionalismo,

O PSTU nasce para lutar pela construção de uma Internacional. Perante a atual crise do capitalismo e os planos de fome no mundo, a frase de Marx – “Proletários de todo o mundo, uni-vos” – é mais atual do que nunca. O PSTU nasce chamando a que se construa a Liga Internacional dos Trabalhadores, a organização mundial revolucionária que está em mais de 25 países, na Europa, nos EUA, na América Latina e que conta com simpatizantes em outros países e continentes. Para muitas organizações de esquerda, internacionalismo é propagandear as lutas mundiais; para o PSTU é construir um partido mundial com dirigentes de diferentes países, como parte da reconstrução da IV Internacional.

Por uma nova direção política e sindical,

O peronismo e seus sindicalistas milionários são responsáveis por nosso país ser uma carga insuportável e por haver um grave retrocesso na educação e saúde públicas, pela perda do pleno emprego, pelo trabalho temporário, precário e sem acesso a benefícios sociais. Por isso necessitamos de outra direção sindical e política. O PSTU nasce ao serviço de lutar por esta tarefa com uma atitude respeitosa para com os novos dirigentes e firmeza na defesa da democracia sindical.

Para batalhar pelo socialismo,

A Argentina capitalista não dá mais, só tem para oferecer miséria, fome e exploração. A saída é uma Argentina Socialista e o PSTU nasce produto desta necessidade. No entanto, queremos ser claros: para o PSTU socialismo não é o que propõe Chávez, com uma Venezuela de altos índices de pobreza e miséria; ou a Cuba de Fidel onde o povo atravessa graves dificuldades, com demissões e salários de fome. Em Cuba e na Venezuela não há socialismo, as multinacionais dominam e impõem condições de exploração e miséria, como em toda a América Latina, e os militares que governam cortam as liberdades democráticas e impedem a organização e protestos. Em Cuba há uma ditatura e na Venezuela dirigentes sindicais e camponeses são assassinados.

O socialismo que propomos no PSTU e na LIT inclui por as imensas riquezas que as multinacionais e grandes empresas controlam ao serviço da maioria do povo. Isso é impossível com um governo de generais, ou de capitalistas; só é possível com um governo operário, unido aos povos da América Latina e do mundo, e que outorgue as mais amplas liberdades democráticas, para que os trabalhadores possam se expressar, se organizar e defender suas conquistas.

Para lutar por um governo operário,
O caminho para a construção da saída socialista requer um partido preparado para assumir essa tarefa, com um férreo método de construção – o centralismo democrático –, que hoje é abandonado e criticado pela maioria das correntes. Defendemos esse método, para construir um partido de combate e a luta pelo poder que nos permita ir às greves, mobilizações, intervir na vida sindical da nossa classe. O centralismo democrático não é a caricatura que pintam o stalinismo e as demais correntes reformistas; é o único método que garante aos militantes a maior democracia interna, ao mesmo tempo que a maior unidade na luta. Sem um partido com este método é impossível impor um governo operário, a saída de fundo que propomos.

Para continuar e fortalecer o Morenismo

Hoje estamos apresentando um novo jornal, “Avanzada Socialista”, de um novo partido, o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU).

No entanto, não somos novos. Somos companheiros que estão lutando há anos pela construção de um partido revolucionário na Argentina. Alguns estiveram construindo durante 15 anos a Frente Operária Socialista (FOS), secção argentina da Liga Internacional dos Trabalhadores-Quarta Internacional (LIT-QI). Outros a Corrente Operária Internacionalista (COI), um núcleo de companheiros que, vindo de diferentes experiências, fizeram parte da construção da Convergência de Esquerda, em 2009. Na verdade, uns e outros, parte de caminhos diferentes, temos nossas raízes na corrente fundada por Nahuel Moreno em nosso país, e que durante quase 70 anos vem acompanhando as lutas da classe operária e do povo argentino, lutando por um programa revolucionário e pela independência dos trabalhadores de todas as variantes patronais, e em especial do peronismo.

Tomamos como nossa a herança heroica de milhares de militantes que, passando por ditaduras e curtos períodos de democracia, enfrentaram os militares, os governos patronais e a burocracia sindical, a que soube odiar e temer os “trotskos”, como sempre se identificou a nossa corrente.

Tomamos como nossa a tradição dos desaparecidos do Partido Socialista dos Trabalhadores que, na década de 70, enfrentou politicamente a guerrilha, mas fisicamente a Triple A [Aliança Anti-comunista Argentina, grupo para militar que assassinava militantes da esquerda na décade de 70] e a repressão. E que resultou no velho MAS, a tentativa mais desenvolvida de direção revolucionária no nosso país.

Essa tradição se expressa no resultado da luta de todos eles, desde Moreno até ao último militante, pela construção de uma internacional revolucionária. Hoje, há na Argentina quem chame a si mesmo “morenista”, mas tenha abandonado há anos essa tarefa, fundamental para Moreno e seu professor, Leon Trotsky.

E há tantos outros que se chamam “trotskistas”, mas fazem de seu credo e religião caluniar o velho Nahuel e o “morenismo”. A todos eles dizemos: quando falarem do morenismo, quando o atacarem e o acusarem, saibam que estão falando de nós e conosco. E que nós vamos defender essa íntima tradição, que é parte da tradição do movimento operário argentino, a sua ala revolucionária. Dessa tradição nos encarregamos e estamos aqui para defendê-la. Mas não só no terreno da lembrança e do balanço, mas, sobretudo no terreno mais concreto e essencial: o da construção de uma direção revolucionária em nosso país.

Daí, então, o nome do nosso partido, que recorda o do PST de Moreno, e o de seu jornal, “Avanzada Socialista”. Não nos confundimos, sabemos que esses nomes nos “ficam grandes”. Mas estamos aqui para crescer e para merecê-los cabalmente. Alguns dirão que esses nomes são nomes do passado. É certo, mas para nós expressam um conjunto de tarefas que ainda não foram cumpridas. Uma tradição e um método que reivindicamos. Estamos aqui para aplicar nosso esforço para avançar nelas.

Esse grande partido só será possível se milhares de honestos lutadores operários, juvenis e populares o tomarem como próprio e fizerem seu. Nós estamos e estaremos aqui, tentando por os primeiros tijolos, até que isso aconteça.

Venha então, companheiro, conosco, a construir o que a história exige aos revolucionários. Venha ser parte de uma Internacional revolucionária, a LIT-QI, ao serviço da reconstrução da IV Quarta Internacional. Venha para o seu novo partido.

Os convidados internacionais

Entrevistamos as delegações internacionais que estiveram presentes no congresso de formação do PSTU, para que nos dessem suas impressões sobre o significado e impacto desta fusão para a tarefa de construção de um partido internacional em torno da LIT-QI.

Flor, LIT-QI – Ruptura/FER, Portugal

Flor: o primeiro ponto que possibilita que se concretize a fusão é que [esta] se faz sobre bases programáticas sólidas. Depois, que seja feita com base numa concepção do regime do novo partido. Isso, para nós, é fundamental. É uma batalha que se foi dando na LIT, a concepção do partido bolchevique na sua relação com a teoria, com a classe, os organismos como centro do partido. O terceiro é que [a fusão] se faz com base numa Internacional, na concepção internacional de partido; que o partido que está nascendo, o PSTU, faz parte da LIT e está ao serviço da sua construção; o partido nacional como parte do partido mundial da revolução. Então, para mim estão presentes as bases centrais para que se dê esta fusão. É uma fusão sólida e, para nós, tem um significado especial por acontecer na Argentina, no cume do morenismo. Seguramente este processo e o novo partido se converterão num polo de atração para as centenas de lutadores que procuram a construção de uma alternativa revolucionária.
 
Juan – IST Uruguai
 
Juan: Vivemos com profunda alegria, ainda mais nós, que estamos dizendo há anos que lutamos para reverter justamente o que era o contrário, uma divisão das correntes vindas do morenismo. Deste ponto de vista, é um salto não só quantitativo – esta união que se dá em torno deste novo partido que se funda e que é o PSTU –, como também qualitativo, não só para o partido nacional, como para a internacional, a LIT.

Foi um processo de uma discussão muito boa, de muita alegria, de muita expectativa dos companheiros, tal como nossa, mas também de muito entusiasmo. Isto é um passo adiante, nada mais nem nada menos, do que na reconstrução do morenismo aqui na Argentina.

Cecilia Toledo - PSTU Brasil
 
Cecilia: Para mim é uma emoção muito grande a fundação deste novo partido. Creio que nos vai fortalecer a todos em conjunto na LIT. Os passos que foram dados para levar adiante esta unificação foram, sumamente, fortes e principistas. Entre eles quero destacar o tema da luta da mulher. O partido já nasce com essa consciência enraizada em si, nasce com muitas companheiras na direção, muitas delegadas mulheres; tudo isso vai fortalecer muito o trabalho da mulher a nível da LIT. Recuperar o morenismo é também recuperar a luta da mulher, dentro do partido e fora do mesmo, para a luta de classes.
 
Leonardo – PST Peru
 
Leo: Para os companheiros que estão vendo desde o Peru, é um processo central na construção da Internacional e que, sobretudo, se mostra um passo adiante, de forma qualitativa, do que é hoje a LIT, a luta que estamos travando a nível mundial e das possibilidades concretas que temos no mundo e, particularmente, na América Latina, para a construção. Isto nos fortalece a todos coletivamente e o saudamos com uma profunda alegria.
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Fonte: Avanzada Socialista nº 1, Jornal do PSTU-Argentina

Tradução: Renata Cambra

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