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30 anos sem Moreno – 100 anos da revolução Russa

Grande ato em comemoração a Nahuel Moreno

No dia 25 de janeiro deste ano, completaram-se 30 anos da morte do dirigente de nossa corrente: Nahuel Moreno. O PSTU e a LIT-QI realizaram um ato no Hotel Bauen, em Buenos Aires, para reafirmar que seu legado está mais vigente que nunca.

Por: PSTU – Argentina

Nessa tarde chuvosa, encontramo-nos operários, jovens, trabalhadores de vários setores, estudantes, aposentados, velhos e novos companheiros, de diferentes cidades da Argentina e também do Brasil. Muitos de nós não nos conhecíamos, mas tínhamos muito em comum: o entusiasmo de confirmar que não estávamos fazendo um mero ato de recordação, mas resgatando a história de nossa corrente como ferramenta para a luta do presente.

Na abertura do ato, foi apresentado um breve vídeo com imagens das grandiosas lutas que estão se desenvolvendo atualmente no mundo. Depois, nossas companheiras da atual “gloriosa juventude socialista, a de Trotsky e Moreno, a internacionalista” deram início às saudações.

Neste momento os companheiros da AGR-Clarín [Artes Gráficas Rioplatense, do grupo Clarín] entraram no salão e foram recebidos com aplausos de pé; dirigiram-nos algumas palavras e passaram a sacola pelo plenário para o fundo de greve. E cantávamos todos: “Vai acabar, vai morrer a ditadura do Clarín”, enquanto renovávamos nosso compromisso com esta luta.

Como não poderia deixar de ser, esteve presente a lembrança dos mártires do PST, assassinados pela triple A [Aliança Anticomunista Argentina] e a ditadura genocida, e um caloroso abraço àqueles que fizeram parte deste honrado partido.

Em continuidade, quatro oradores expuseram sobre diferentes aspectos da vigência do morenismo e dos ensinamentos da revolução, emocionando, em vários momentos, aos presentes. Aqui reproduzimos algumas destas falas.

Ao final cantamos o hino dos trabalhadores, a Internacional, com os punhos erguidos. O grito “Viva a LIT!” ecoou em todo o salão.

Eduardo Almeida, companheiro da equipe de Moreno e membro do Secretariado Internacional da LIT-QI.

“Quem são os morenistas? Nós não nos propomos fazer uma corrente diferente à de Lênin. Somos os bolcheviques de hoje. Somos aqueles que reivindicam o legado de Moreno e da Revolução Russa, não como um fato histórico, mas como uma estratégia para a ação. Dedicamos nossas vidas a um projeto político que está marcado pela estratégia de fazer Revoluções de Outubro em todos os países do mundo. Alguns nos dizem que somos antiquados, porque reivindicamos uma revolução da qual passaram cem anos. Bom, pelo menos poderiam reconhecer que somos mais modernos que eles, que reivindicam o capitalismo, que se arrasta por seis séculos. Na verdade, o marxismo renova-se. Não somos aqueles que simplesmente recitam as citações dos clássicos. O marxismo se reescreve, se reconstrói, aprimora seu programa a cada processo revolucionário. E isto é muito importante. Neste momento, por exemplo, a LIT-QI vive um processo de intensa discussão programática. Há mudanças muito importantes no mundo. Mas vejam, companheiros, mesmo com todas as mudanças, os fundamentos do marxismo se mantêm, e isso tem muito a ver com as duas datas às que hoje nos referimos: o aniversário da morte de Moreno e o centenário da Revolução Russa”.

Eduardo Barragán, companheiro da equipe de Moreno e dirigente nacional do PSTU argentino.

Hoje a melhor homenagem que podemos render a Moreno é aproveitar as enormes oportunidades que a realidade mundial nos presenteia: o que acontece nos Estados Unidos, a crise do capitalismo, a falta de alternativa a essa crise (…). Só existe alternativa para os trabalhadores com o programa operário e revolucionário, que devemos levar ao movimento operário e de massas, às mulheres dos Estados Unidos, aos da Síria, aos de toda a África, aos de toda América Latina, nosso programa revolucionário. Esta é a oportunidade de levar a essas massas que estão lutando o programa que permite a única alternativa possível para acabar com o capitalismo e começar a construir o socialismo. Essa é a melhor homenagem que podemos fazer a Moreno aos trinta anos de sua morte”.

Daniel Ruiz, delegado petroleiro de Chubut e dirigente nacional do PSTU argentino.

“É aí onde está nossa essência: somos os que apostamos na classe operária. Porque quando começa uma luta, independente de quem a dirija, nos colocamos ao seu dispor para que a luta triunfe, chamando à unidade, à formação de uma coordenação. Porque no caminho da luta vão-se desenvolvendo os novos organismos da classe operária. Quando os povos estão mobilizados, é mais fácil que se apropriem de parte de nosso programa e realizem as tarefas revolucionárias que a classe operária precisa. Ao calor desse processo, batalhamos para que se concretizem a democracia operária, piquetes, a organização e o poder operários. Essa é a alternativa que propomos aos trabalhadores. (…) Queremos esse caminho para a classe operária, e que cada uma das lutas seja nossa paixão. Essa paixão foi transmitida neste ato, e queremos que seja permanente pelas oportunidades abertas com a situação nacional e mundial. Peço-lhes que se somem e que nos acompanhem”.

Vera Lucia, operária na produção de calçados na região de Sergipe (Brasil), representante da luta das mulheres trabalhadoras e dos negros e dirigente nacional do PSTU brasileiro.

“Quando olhamos o mundo hoje, vemos como a classe trabalhadora está sendo brutalmente atacada pelo imperialismo e pelas burguesias nacionais. (…) No Brasil, vivemos uma crise que só se assemelha à crise de 29, onde há mais de 20 milhões de trabalhadores desempregados. Além desta crise econômica, temos uma crise política sem precedentes. Michel Temer, que assumiu o governo após o impeachment, continua aplicando a mesma política de ajuste e ataque à classe trabalhadora aplicada por Dilma e Lula, quando estiveram no governo. E diante da crise, quem mais sofremos com esta situação somos as mulheres. E, no caso do Brasil, os negros e as mulheres negras. Nós, que somos os operários que produzimos as riquezas do país, vivemos na marginalidade. (…) Precisamos acabar com a violência da fome que nos abate todos os dias, a violência do desemprego, de não ter uma casa para viver, de ver a nossa juventude com um futuro que promete morte e cárcere. (…) Precisamos colocar um fim à exploração. Temos que pôr fim à opressão das mulheres e os negros. E só há uma forma de fazê-lo: fazer a revolução socialista, que a classe trabalhadora se aproprie do poder, destrua o Estado burguês e destrua a propriedade privada dos meios de produção. Mas, para isso, precisamos uma ferramenta imprescindível: um partido revolucionário. E foi isso o que nos deixou Moreno”.

Conversando com Moreno

Há 30 anos de sua morte, a LIT-QI realizou uma edição especial de Conversando com Moreno. Trata-se de uma longa entrevista realizada em 1986, poucos meses antes de sua morte, considerada seu testamento político. Esta edição especial completa-se com fotos de diferentes momentos de sua vida política e pessoal e com uma série de depoimentos de dirigentes que trabalharam com ele, da LIT-QI e de outras organizações, alguns dos quais hoje não se reivindicam morenistas. Esta reivindicação do papel de Nahuel Moreno, feita por diferentes visões, é uma resposta pela positiva aos permanentes ataques caluniosos do PO, PTS, Espartaquistas e outras organizações.

Nota complementar: http://www.pstu.com.ar/siglo-la-mayor-hazana-obrera/

Artigo publicado no Jornal Avançada Socialista n.° 125, 15 de fevereiro de 2017, p. 12

Tradução: Rosangela Botelho